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O quê de epifânico em G.H., por José Castello
Release do livro
Orientação Pedagógica
1964
A paixão segundo G.H.
A escultora G.H. nos conta sua experiência vivenciada a partir do instante em que entra no quarto da ex-empregada, vê o surgimento de uma barata no guarda-roupa e a esmaga na porta. Daí em diante, tomada por uma mistura de medo e repulsa, G.H. vive com a barata durante horas e horas a sensação de ter perdido a sua "montagem humana". A incapacidade de dar forma ao que lhe aconteceu, a aceitar este estado de perda, a leva a imaginar que alguém está segurando a sua mão. Desta maneira, o leitor passa a viver junto com a personagem esta experiência singular.
“Estou desorganizada porque perdi o que não precisava? Nesta minha nova covardia – a covardia é o que de mais novo já me aconteceu, é a minha maior aventura, essa minha covardia é um campo tão amplo que só a grande coragem me leva a aceitá-la –, na minha nova covardia, que é como acordar de manhã na casa de um estrangeiro, não sei se terei coragem de simplesmente ir. É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me mesmo seja de novo a mentira que vivo.”

Possibilidades pedagógicas:
Ter a garantia de pensar que entende o que se é, o que se vive, é um dos modos de viver.  Mas o que fazer quando se descobre um outro modo de viver, onde se perde a própria "montagem humana"? E como ter a coragem de manter-se nesse estado?  O leitor que se aproximar desta obra deve-se colocar disponível para o exercício da reflexão sem limites, para viver o que não entende, para aceitar a limitação da linguagem humana ao tentar traduzir as experiências existenciais.  
 
Temas transversais:
1. Existência e linguagem.  Página 20.
2. Busca da identidade.  Páginas 31 e 32.

  

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